Escalada do conflito no Oriente Médio eleva prémio geopolítico e provoca choque energético global
09 de março de 2026
O preço do petróleo do tipo Brent, principal referência internacional, voltou a cruzar a marca simbólica dos US$ 100 por barril no domingo (8 de março de 2026), atingindo cerca de US$ 107 — nível não visto desde 2022. A alta é reflexo direto da escalada do conflito envolvendo Irão, Estados Unidos e Israel, que reacendeu o risco geopolítico nos mercados de energia.
A variação foi abrupta: no fim de fevereiro, o Brent ainda era negociado entre US$ 70 e US$ 75 o barril. Em poucos dias, o mercado passou a incorporar um prémio de risco associado às possíveis interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. Analistas estimam que o movimento atual embute um prémio geopolítico de aproximadamente US$ 35 a US$ 45 por barril em relação aos fundamentos tradicionais de oferta e procura.
Para contextualizar a magnitude do movimento, em dezembro de 2025 o Brent chegou a ser negociado a US$ 58 o barril. O patamar atual representa, portanto, quase o dobro daquele valor.
Três cenários para o curto prazo
Analistas de mercado trabalham com três trajetórias possíveis para o preço do petróleo nas próximas semanas. No cenário mais otimista, caso o conflito seja contido e a navegação no Golfo normalizada, o Brent poderá estabilizar entre US$ 70 e US$ 80. Se as hostilidades persistirem, a cotação tende a manter-se acima de US$ 110. No cenário mais grave — com bloqueios efetivos ou danos severos à infraestrutura energética regional, os preços poderão aproximar-se de US$ 130 ou até US$ 150 por barril.
Impactos para a economia global
Se o conflito se prolongar, o choque de preços tende a alastrar-se a outros setores da economia. Combustíveis mais caros pressionam a inflação, elevam custos logísticos e reacendem o debate sobre segurança energética. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que crises como esta tendem a acelerar a transição para matrizes energéticas menos dependentes de combustíveis fósseis.
Fonte: “Petróleo do tipo Brent supera US$ 100 o barril: qual será o limite?” CNN Brasil, 8 mar. 2026.














