Energean Compra Activos Chevron em Angola

Num movimento estratégico que redesenha a sua presença no continente africano, a petrolífera Energean, cotada em Londres e Telavive, anunciou a assinatura de um acordo vinculativo para a aquisição de participações em dois blocos offshore em Angola, actualmente detidos pela gigante norte-americana Chevron. A transacção, avaliada num montante base de 260 milhões de dólares, marca a entrada oficial da companhia no promissor mercado angolano.

Detalhes da Operação e Activos Envolvidos

O acordo prevê a transferência de uma participação operacional de 31% no Bloco 14 e de uma participação não operacional de 15,5% no Bloco 14K. Estes activos são considerados fundamentais para a estratégia de diversificação geográfica da Energean, que procura reduzir a sua dependência dos activos de gás no Médio Oriente, recentemente afectados por instabilidades regionais.

Os principais destaques financeiros e operacionais da transacção incluem:

  • Contrapartida Base: 260 milhões de dólares em dinheiro.

  • Pagamentos Contingentes: Podem atingir os 250 milhões de dólares até 2038, dependendo do desempenho da produção e dos preços de mercado do crude.

  • Capacidade de Produção: Os activos produzem actualmente cerca de 42.000 barris por dia (gross), garantindo à Energean uma quota líquida aproximada de 13.000 barris diários.

Visão Estratégica e Liderança

Mathios Rigas, Director Executivo (CEO) da Energean, classificou o negócio como um “momento histórico” para a empresa. Para o executivo, a operação representa não apenas a aquisição de fluxo de caixa imediato, mas o estabelecimento de uma plataforma de crescimento a longo prazo na África Ocidental, tirando proveito das infra-estruturas já instaladas em Angola, como os centros de processamento BBLT e Tombua-Landana.

Pelo lado da Chevron, a venda insere-se num programa global de optimização de portfólio. No entanto, a multinacional reiterou o seu compromisso com o país, mantendo operações relevantes noutras concessões, nomeadamente nos Blocos 0, 33, 49 e 50, além da sua participação no projecto Angola LNG.

Impacto no Sector Energético Nacional

A entrada da Energean é vista com bons olhos pelas autoridades reguladoras angolanas. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) tem incentivado a entrada de operadores independentes com capacidade técnica e financeira para revitalizar campos maduros e combater o declínio natural da produção.

A conclusão da transacção está prevista para o final de 2026, sujeita às aprovações governamentais e regulamentares habituais, bem como à renúncia aos direitos de preferência por parte dos restantes parceiros dos blocos.

Fonte: https://www.reuters.com/business/energy

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