A entrevista concedida por Paulino Jerónimo, Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), oferece uma visão abrangente sobre as prioridades e desafios da entidade concessionária responsável pela gestão dos recursos petrolíferos de Angola. A conversa evidencia uma estratégia assente na transparência, na competitividade e no reforço do investimento, pilares essenciais para assegurar a sustentabilidade do sector num contexto internacional em rápida transformação.
1. A ANPG como Concessionária “Dialogante”
Paulino Jerónimo destaca que a ANPG evoluiu para um modelo institucional mais aberto e participativo, reforçando a comunicação com investidores, operadoras, prestadores de serviços e demais entidades governamentais. Esta abordagem “dialogante” visa criar um ambiente contratual claro, estável e competitivo, reduzindo incertezas e acelerando os processos de tomada de decisão.
Segundo o responsável, este diálogo constante é essencial para estimular a confiança dos investidores, sobretudo num período em que a indústria global enfrenta desafios ligados à transição energética e à volatilidade dos preços do petróleo.
2. Atração de Investimentos e Competitividade Internacional
A entrevista sublinha que a ANPG tem registado um aumento significativo do investimento no país, fruto das reformas implementadas desde 2017 e da maior clareza regulatória. Foram desenvolvidos estudos de competitividade e lançadas iniciativas específicas para tornar Angola mais atractivo no contexto africano, com foco em:
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Áreas fronteira, ainda pouco exploradas;
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Campos maduros, onde a recuperação secundária e terciária pode prolongar a vida útil dos activos;
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Simplificação de processos negociais, garantindo maior celeridade na aprovação de projectos.
O objectivo central é manter Angola como um destino prioritário para o capital internacional no upstream.
3. Manter a Produção Petrolífera em Níveis Sustentáveis
Jerónimo reforça a importância de estabilizar a produção nacional e evitar fortes declínios decorrentes do esgotamento natural dos campos. Para isso, a ANPG tem incentivado campanhas de perfuração, trabalhos de manutenção e optimização de poços, e novos investimentos em sísmica e pesquisa geológica.
A continuidade da produção é estratégica, dado o seu impacto directo nas receitas fiscais, no financiamento do Estado e na balança comercial.
4. Reformas Regulatórias e Modernização do Sector
A entrevista destaca ainda a necessidade de continuar a fortalecer o enquadramento regulatório, garantindo:
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maior transparência nos contratos,
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fiscalização rigorosa dos operadores,
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adopção de padrões internacionais de segurança e de protecção ambiental,
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combate à burocracia e morosidade processual.
A ANPG procura garantir que a exploração e produção ocorram de forma eficiente, segura e benéfica para o Estado e para as operadoras.
Conclusão
As declarações de Paulino Jerónimo evidenciam uma visão realista e estratégica para o futuro do sector petrolífero angolano. Com foco na competitividade, no investimento e na estabilidade regulatória, a ANPG posiciona-se como um actor essencial na garantia de que os recursos naturais do país são explorados de forma responsável e com elevado valor económico. A entrevista reforça que o diálogo institucional e a transparência continuam a ser os pilares para um sector moderno, eficiente e atractivo.













