Na sua entrevista, Diamantino Pedro Azevedo, ex-Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, apresenta uma visão estrutural sobre os desafios e as prioridades do sector energético angolano. A sua intervenção destaca temas como a transição energética, a expansão da refinação nacional, o papel estratégico do gás natural e a necessidade de reforçar a transparência institucional.
1. Transição Energética Justa e Sustentabilidade
Azevedo destaca que Angola apoia os princípios da transição energética global, mas defende que esta deve ser justa e equilibrada para países dependentes das receitas do petróleo. Assim, o objectivo nacional é adoptar tecnologias mais limpas sem comprometer a exploração dos recursos que sustentam a economia.
O ex-ministro realça que a transição energética não implica abandonar o petróleo, mas sim torná-lo mais eficiente e menos poluente, através de:
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redução da queima de gás,
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investimentos em energias complementares,
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adopção de padrões ambientais mais exigentes,
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promoção da economia de baixo carbono.
2. O Gás Natural como Pilar Estratégico
Um dos pontos centrais da entrevista é a aposta no gás natural, sobretudo o gás não associado. Azevedo afirma que Angola está a preparar as condições para iniciar a exploração comercial de novos recursos gasíferos, o que permitirá:
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diversificar a matriz energética nacional,
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alimentar projectos industriais,
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reduzir importação de combustíveis,
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aumentar receitas de exportação.
O gás é apresentado como o combustível-ponte entre o petróleo tradicional e uma economia energética mais limpa.
3. Aumento da Capacidade de Refinação Nacional
Outro tema crítico abordado é o défice de refinação no país. Azevedo destaca que Angola tem projectos estruturantes para aumentar a capacidade de transformar internamente o seu petróleo bruto, reduzindo a dependência de importações.
As prioridades incluem:
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modernização e expansão da Refinaria de Luanda,
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construção de novas refinarias de escala regional,
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desenvolvimento de infra-estruturas logísticas para apoiar o escoamento de combustíveis.
Com maior capacidade de refinação, o país poderá gerar valor local, criar empregos qualificados e reforçar a segurança energética.
4. Transparência, Estabilidade e Atractividade para Investidores
Azevedo salienta que o sector petrolífero só pode prosperar com transparência institucional, estabilidade regulatória e medidas de governação claras. Para atrair capital estrangeiro — essencial para desenvolver projectos offshore e infra-estruturas gasíferas — Angola precisa de garantir que os investidores encontram um ambiente competitivo e previsível.
O ex-ministro sublinha ainda a importância de reforçar a fiscalização técnica e aumentar a eficiência administrativa, reduzindo entraves burocráticos e acelerando o ciclo de aprovação de projectos.
Conclusão
A entrevista de Diamantino Pedro Azevedo revela uma visão estratégica integrada: combinar a exploração petrolífera com políticas de transição energética, promover o gás natural como vector de desenvolvimento industrial e reforçar a capacidade de refinação. Paralelamente, defende uma cultura institucional assente na transparência e na estabilidade regulatória. Esta abordagem oferece um guia sólido para a modernização gradual, mas consistente, do sector petrolífero angolano.













