Um novo estudo científico colocou em discussão uma consequência menos abordada da expansão da Inteligência Artificial: a possibilidade de a tecnologia aumentar indirectamente as emissões globais ao tornar a produção de petróleo e gás mais eficiente.
Publicado na revista científica npj Climate Action, o estudo analisou os efeitos da IA tanto sobre o sector dos combustíveis fósseis como sobre as energias renováveis.
Segundo a investigação, num cenário em que os dois sectores beneficiam paralelamente de ganhos de produtividade proporcionados pela IA, as emissões globais poderão aumentar entre 0,47 e 1,8 gigatoneladas de CO₂ por ano. Este intervalo corresponde aproximadamente a 1,2% a 4,8% das emissões globais do sector energético registadas em 2024.
O problema apontado pelos investigadores é económico: algoritmos, análise avançada de dados e automação podem reduzir custos, identificar novas reservas, aumentar factores de recuperação e prolongar a rentabilidade de determinados activos de petróleo e gás.
Embora a IA também possa melhorar redes eléctricas, energias renováveis e eficiência energética, o modelo concluiu que os ganhos de produtividade nas renováveis teriam de ser aproximadamente quatro a cinco vezes superiores aos ganhos obtidos nos combustíveis fósseis para equilibrar o impacto.
Empresas como Chevron, ExxonMobil, ADNOC, Aramco, SLB, Halliburton e Baker Hughes já utilizam diferentes soluções de IA em actividades ligadas à exploração, perfuração, produção e optimização operacional.
Os resultados não significam que a IA provoque inevitavelmente este aumento de emissões. O estudo apresenta cenários modelados e defende que políticas públicas e decisões de investimento determinarão como os ganhos tecnológicos serão distribuídos entre fontes fósseis e energias de baixo carbono.
Fontes: npj Climate Action e Mercado, Agosto de 2026.














